Entrevista Júnior CB - Projeto Trekking & Fly ES

13/05/2015 - Publicado por: Adm - Categoria: Geral - Tags: trekk fly parapente aventura expedição

[ABP] CB...COMO, QUANDO E POR QUÊ SURGIU A IDÉIA?
[CB] Sempre fui um atleta multidisciplinar. Pedalava, nadava, fazia atletistmo, jogava futebol, andava de skate e praticava artes marciais... tudo ao mesmo tempo. Pobres pais... sofreram muito para me domar e o segredo era me colocar para gastar energia. Ano passado, em viagem ao Chile, escalei o vulcão Villarica em Pucon e pronto, click, o botão foi ativado. Ao final de outubro de 2014 a idéia já estava plantada e os planos começaram. O objetivo era fazer algo inédito e de proporções respeitáveis. Algo que abrisse também o leque para a prática do parapente. A inspiração maior foi o X-Alps, sem dúvida.

 
[ABP] COMO FOI O PLANEJAMENTO?
[CB] Tudo foi respaldado pela dimensão que eu queria para o desafio. Eu precisava de uma rota de respeito e que ao mesmo tempo se delimitasse como um todo: Nada melhor do que atravessar um estado inteiro. No ES eu tinha tudo que eu precisava. A rota desceria de Norte para Sul, passando por rampas oficiais, e os ventos tradicionalmente tocam de NE para SE na região. Era o bastante para lidar com a meteorologia e o trajeto em voo ou em solo.
A rota trazia dois grandes desafios:
1o - Começava com 100km de trekking até a primeira rampa;
2o - Da penúltima rampa para a última o trekking também seria obrigatório;
ESPETÁCULO!!!! A rota, então, era perfeita. Não adiantaria ser especialista no voo XC. O preparo físico seria parte obrigatória do início ao fim. Essa era a essência do projeto.

 
[ABP] COMO FOI O PREPARO FÍSICO E PSICOLÓGICO?
[CB] Com o tempo livre que tenho, pratico sempre algum esporte, hoje mais forte o ciclismo MTB. Mas remo, faço longboard, corro, pedalo, nado... estou sempre em movimento. Um problema era o ganho de peso que tive desde o início do ano passado após uma lesão no tendão patelar esquerdo. Precisava acelerar a perda de peso. Então, a partir de novembro do ano passado intensifiquei os treinos com foco em mais resistência e também ajustei a alimentação para emagrecer mais rápido. Minha parte psicológica é como uma rocha para este tipo de cenário. Sou péssimo na paciência e contemporização, mas pular para cima de qualquer desafio e ir além dos limites... sai da frente que meu trator está passando. Neste tipo de desafio o quesito determinante é a sua capacidade de ir além... pode acreditar... todos os dias você se verá frente a frente com a tentação de parar no meio do caminho. A alternativa de seguir, apesar de todo o cansaço, do horário e das dores no corpo sempre parecerá dura demais.

 
[ABP] QUAL FOI A MAIOR DIFICULDADE DURANTE O DESAFIO?
[CB] Por incrível que pareça, graças a Deus e a um bom planejamento, não houve qualquer situação crítica ou incidentes. Os pontos de atenção foram: o preparo físico; a habilidade na decolagem em rampas restritas; hidratação constante; relacionamento e comunicação com o resgate; equipamentos e vestuário adequados; veículo 100% operante e verba suficiente com sobra.
O único perrengue, se é que posso chamar disto, foi na subida à rampa de Pancas. Recebi uma dica "quente" para economizar uns 8km dos 18km do acesso oficial. A dica "quente" virou uma roubada e finalizei com uma mega "recaminhada" e um total de 20km para chegar à rampa.
Um grande desafio físico e psicológico foi encerrar o 8o dia com uma caminhada de 40km, chegar ao hotel de Baixo Guandu umas 23h, jantar, preparar e publicar material de divulgação, dormir depois da meia noite, acordar às 6h e às 7h inicar 25km de caminhada até a rampa do Monjolo. Os últimos 2km foram os mais duros e desgastantes... foi muito muito muito sofrido dar cada passo.

 
[ABP] PENSOU EM DESISTIR EM ALGUM MOMENTO?
[CB] NÃO! Infelizmente o projeto foi abortado apenas por questões de prazo.

 
[ABP] VOAR OU CAMINHAR? COMO ERA DECIDIDO?
[CB] Neste projeto a questão era simples, afinal tudo foi definido desde a concepção do projeto. Eu só voaria em rampas oficiais. Não iria subir num morro qualquer e tentar salvar kms de caminhada. Não era um bivouac... era um Trekking & Fly.
Eu caminharia os primeiros 100km até a primeira rampa e depois caminharia sempre que necessário após cada pouso para chegar na próxima cidade destino de cada dia.

 
[ABP] O QUE VOCÊ APRENDEU COM ESSA AVENTURA?
[CB] Que o parapente ainda é muito pouco explorado em suas possibilidades aqui no Brasil. Que o ES é um estado com uma beleza natural inimaginável em relação ao relevo com formações rochosas espetaculares e únicas. Que o limite só é conhecido por quem desiste. Que eu descobri uma nova paixão!!!

 
[ABP] QUAL O SEU PRÓXIMO DESAFIO?
[CB] São 2 no forno. Ainda segredo!!!
 
[ABP] QUAIS CONSELHOS VOCÊ TEM PARA QUE PRETENDE FAZER ALGO PARECIDO COM O TREKKING & FLY?
[CB] Pesquise e entenda o que é. Prepare-se adequadamente física e psicologicamente. Tenha um bom orçamento. Tenha equipamentos adequados. Planeje bem a rota e a abordagem de cada trajeto. Tenha um bom motorista de apoio. Valorize os detalhes ao extremo.

Para entrar em contato com Júnior CB acesse:
http://goxcb.blogspot.com.br






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